O tempo de reacção na condução é aquele que decorre entre a percepção de um estímulo por parte do condutor e o momento em que este responde a esse estímulo.

Muito embora os condutores tenham, na sua maioria, a sensação de reagir instantaneamente, de facto, entre o "ver" e o "agir" decorre, num condutor em situações e condições normais, o tempo médio de um segundo.

Este é o tempo necessário para detectar o estímulo através dos sentidos, identificá-lo, analisá-lo, decidir qual a resposta mais adequada e agir em conformidade.

Importa diferenciar, desde já, tempo de reacção e acto reflexo. Existem estímulos aos quais respondemos sem previamente terem sido percepcionados – é a chamada resposta reflexa.
Contrariamente ao que é comum pensar-se, a esmagadora maioria das acções de resposta a uma dada situação de trânsito não são respostas reflexas.

É portanto falso, dizer que alguém é um óptimo condutor só porque tem bons reflexos.
O tempo de reacção depende, essencialmente, do estado físico e psicológico do condutor, da complexidade do estímulo percebido e da presença simultânea de vários estímulos.

Quanto mais complexo for o estímulo percebido maior será o tempo de reacção. O mesmo ocorre aquando da presença de estímulos conco- mitantes.
Por outro lado, se os estímulos identificados forem “familiares” ao condutor, o tempo de reacção poderá ser menor.
Alguns dos factores que levam ao aumento do tempo de reacção por parte dos condutores são:

• Presença de álcool no sangue que decorre da ingestão de bebidas alcoólicas. Assim, o aumento do tempo de reacção é tanto maior quanto mais elevada for a Taxa de Álcool no Sangue;

• O estado de fadiga e de sonolência. Estudos internacionais provam que os efeitos da fadiga na condução são semelhantes aos efeitos provocados pelo álcool. Sabe-se que após 17- 19 horas de privação de sono a diminuição de desempenho é equivalente à observada em indivíduos com uma TAS de 0,50g/l e que após 24 horas sem dormir essa diminuição é similar a uma TAS de 1g/l.

• Alguns medicamentos que actuam a nível do sistema nervoso, como ansiolíticos, sedativos e outros, assim como vários medicamentos de venda livre, considerados geralmente inócuos, como analgésicos, xaropes antitússicos, anti- -histamínicos, antigripais, etc., muitas vezes automedicados;

• Estados de doença e estados emocionais fortes como o stress, a tristeza, a euforia, a preocupação, etc.;

• A progressão da idade;

• O uso de telemóvel aquando da condução.

O tempo de reacção é muito importante na condução e pode ser influenciado negativamente pelos factores acima descritos.
Consciente dos efeitos que um aumento do tempo de reacção tem na condução e, consequentemente, da sua repercussão em termos da sinistralidade rodoviária, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), nas suas campanhas de prevenção e nos conselhos que divulga, alerta os condutores para alguns dos factores de risco acima descritos.

Acresce que alguns deles, como o consumo de Álcool e Substâncias Psicotrópicas e a Velocidade, além de constituírem o mote das Campanhas da ANSR, são também preocupações intrínsecas aos objectivos estratégicos e operacionais da Estratégia de Segurança Rodoviária (ENSR).

17/03/2011

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