A importância da vitamina D nos idosos

Benefícios e consequências na sua saúde

Os benefícios da vitamina D constituem um dos principais temas de discussão na comunidade científica. Além da conhecida importância ao nível da estrutura óssea, nomeadamente na fase de crescimento e nos idosos, os seus benefícios estão cada vez mais associados a características de proteção anti-inflamatórias, na diabetes, depressão, esclerose múltipla, arteriosclerose e em alguns tipos de cancro.

O que é a vitamina D?

A vitamina D, também chamada calciferol, é um derivado do colesterol que funciona como hormona, apresentando variadas funções, entre as quais se destaca a regulação do metabolismo do fósforo e do cálcio.

As formas principais são conhecidas como vitamina D2 (ergocalciferol: de origem vegetal) e vitamina D3 (colecalciferol: de origem animal). Ao contrário das restantes vitaminas, exclusivamente obtidas através da alimentação, o colecalciferol é primariamente produzida no organismo através da exposição cutânea à luz solar e ultravioleta (UV-B).

Uma parte da vitamina D é obtida através da absorção intestinal. Existe naturalmente em alguns alimentos, nomeadamente nos ovos, óleo de fígado de bacalhau e peixes gordos como o atum, sardinha e salmão. Atualmente, a maioria dos laticínios e dos cereais consumidos são artificialmente enriquecidos em colecalciferol.

Consequências associadas à carência de vitamina D

No início do século 20 descobriu-se que a sua carência nas crianças provoca raquitismo (deformidades graves do esqueleto durante o crescimento). Nos adultos, provoca osteomalacia (diminuição da rigidez dos ossos), o que leva a um maior risco de fraturas.

Está também comprovada a sua importância na prevenção do chamado “Síndrome de sarcopénia e fraqueza muscular” assim como na prevenção de quedas e de dor musculoesquelética. Estes efeitos definem a sua importância em medicina, sobretudo na população idosa, onde o risco de queda e fraturas é mais elevado e tem consequências graves.

Benefícios da vitamina D

Os benefícios da vitamina D constituem um dos principais tópicos de discussão na comunidade científica. Diversos estudos sugerem uma associação positiva entre vitamina D e inflamação, com potencial benefício na prevenção da diabetes, depressão, esclerose múltipla, reação inflamatória de fase aguda, arteriosclerose e risco cardiovascular, bem como alguns tipos de cancro (cólon, próstata e mama).

Estudos desenvolvidos de forma independente por todo o mundo revelaram que a maioria das pessoas tem carência de vitamina D, sobretudo nos países situados a elevadas latitudes, em que há menor exposição a radiação solar UV. O défice de vitamina D afeta 80% da população adulta. Apesar da sua fama de país solarengo, Portugal inclui-se neste grupo.

A exposição solar em moderação é recomendada por períodos de 15 minutos por dia, protegendo o rosto com protetor solar de fator 30. Em pessoas com pele negra ou morena este período pode estender-se até 45 minutos a uma hora.

Deve evitar-se, no entanto, o sol durante as 11h e as 16h. Apesar da produção de vitamina D ser mais elevada neste período, existem outros riscos associados à exposição solar (melanoma e desidratação).

A relevância da vitamina D nos idosos

A população idosa apresenta um risco acrescido de deficiência de vitamina D. Os níveis médios de vitamina D são 50 a 70% mais baixos neste grupo, com manifestações de fraqueza muscular e osteomalacia em 35%.

À luz dos conhecimentos atuais, a suplementação oral de vitamina D é recomendada em toda a população com mais de 70 anos, sobretudo em situações de quedas frequentes (mais de uma queda por ano), fraturas de fragilidade e pessoas institucionalizadas ou acamadas. A dose recomendada é de 800 UI/dia na população idosa, podendo chegar a doses de reforço de 50.000 UI/semana durante 4 a 8 semanas em casos particulares, nomeadamente nos doentes com fratura do colo do fémur.

O risco de toxicidade por vitamina D é negligenciável quando suplementada nestas quantidades – apenas se manifesta em valores superiores a 10.000 UI/dia (muito superior à dose fornecida pelos medicamentos utilizados).

Nas últimas décadas, tem-se vindo a presenciar um aumento do número de quedas e fraturas na população sénior, constituindo um problema epidemiológico com significativo impacto social e económico - cerca de 50% dos idosos vítimas de fratura do colo do fémur nunca recuperam o grau de autonomia prévio à fratura, podendo ficar dependentes de auxiliares de marcha ou acamados.

A prevenção destas consequências e a manutenção de níveis adequados de vitamina D são armas essenciais na diminuição dos efeitos das quedas e fraturas.


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Artigo de opinião médica pelo Dr. João Sarafana, numa parceria ACP/Revista Saúde Sénior.
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